Ceitos e preconceitos em choque

5 07 2010

André Campos

“Patrik 1.5”, produção sueca dirigida por Ella Lemhagen, é um filme de desconstrução de preconceitos. O casal Göran (Gustaf Skarsgard) e Sven (Torkel Peterson) mantém uma relação (aparentemente) estável, e se mudam para um bairro distante do centro urbano da Suécia à procura de realizar o sonho de adotar uma criança que ainda não tenha completado dois anos. Mas por um erro de digitação do Serviço Social ao qual o casal recorre, ao invés de uma criança, eles recebem um garoto de 15 anos, órfão, homofóbico e com histórico de pequenos delitos.

É a partir desse conflito que o filme tenta mostrar a homoafetividade por outro ângulo. Se no primeiro momento, Sven apoiava o desejo de adoção de Göran, depois que Patrik (Thomas Ljungman) chega a sua casa, e por determinação pública fica hospedado por quatro dias, o casal se desentende e rompe diante as provocações do garoto. A situação se agrava quando alguns vizinhos de Sven e Göran começam a debochar daquela situação. Vale lembrar que na Suécia a adoção de crianças por casais homossexuais é aceita pelo governo desde 2002. Dessa forma, Ella Lemhagen nos convida em seu filme a pensar até onde a fidelidade resiste frente às dificuldades; na aparente aceitação social da homoafetividade e na questão da adoção de crianças por homossexuais.

Patrik, interpretado por Thomas Ljungman

As coisas começam a mudar depois que Patrik começa a ajudar os vizinhos e, o próprio Göran, a cuidar dos jardins do bairro para ganhar uns trocados, único ofício que o garoto se dedicou nos tempos de orfanato, e Sven percebe a força do ex-companheiro ao enfrentar as dificuldades.

Razões para você ver (ou não) Patrik 1.5

– Sven e Göran formam um casal maduro. Pelas cenas pode-se intuir que ambos já tenham passado dos 30. O filme faz bonito quanto mostra um casal real: Sven é calvo e Goran não é um exemplo de beleza, se considerado que toda beleza está na juventude.

– A trilha sonora é outro ponto forte. Ao incorporar canções radiofônicas, o filme se torna mais próximo ao público. E Para aqueles que curtem folk e country, as músicas ficam na memória.

– O que se questiona em “Patrik 1.5” é a viabilidade de uma união gay, com direito a reconhecimento e a realização da adoção de uma criança, para que esta união seja legitimada. Assim, fica de lado certo fatalismo que alguns filmes com temática gay costumam empregar.

– Mas peca em minimizar temas tão específicos em alguns momentos: a infidalidade de Sven, a aceitação do jovem Patrick e o preconceito velado de alguns vizinhos.

Na dúvida se vai ou não assistir “Patrik 1.5”? Confira o trailer do filme:

Fotos reprodução


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